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5 de mar. de 2016

Às vezes sou complicada, sabe?

Foto: Bruna Novaes

Sei que é pedir muito, mas queria que compreendesse minha existência complexa. Queria que fosse capaz de perdoar minhas manhas, birras e surtos sem motivos. Que conhecesse e entendesse meus traumas, meus medos, anseios. Que soubesse que meu problema não é com você, é com o mundo que só me ofereceu pedras. Nunca conheci as flores.

Eu já tentei  mudar, juro. Mas por um longo tempo esse meu jeito difícil foi meu único escudo para manter as pessoas afastadas, achava que eu fazia bem me isolando. Eu não entendia que decepções fazem parte da vida, não há como evitá-las, o melhor que podemos fazer é tirar lições delas, e seguir.

Mas não estou tentado afastar você, de jeito nenhum. Confesso que ainda sou insegura, ainda tenho medo do futuro, tenho medo das pessoas, tenho medo de quase tudo, na realidade. Mas quero você por perto, e talvez seja a minha insegurança que desperte meu instinto de auto proteção e me faça agir dessa forma. 

Eu também sou orgulhosa, nunca soube dar o braço a torcer, às vezes quando erro tenho vergonha de admitir e voltar atrás para me desculpar. Então quando eu agir de maneira estúpida e depois aparecer com voz mansa e "cara de quem não quer nada", não encare como cinismo, é meu jeito de me desculpar, ainda estou trabalhando com as palavras, você sabe que nunca fui boa em me com elas.

Tenho me sentido só, e sei que em parte, essa solidão é culpa do meu orgulho besta e das minhas atitudes impensadas. Te botei pra fora da minha vida, mas cá entre nós, você também não facilita. 

Já disse, sei que é pedir muito, mas quero que você consiga me entender e seja paciente, eu prometo que vou tentar mudar, se me der flores, se conseguir me fazer enxergar além das pedras e espinhos, pelo menos com você eu  vou tentar. Porque  eu sei que te quero por perto, e essa é uma das poucas certezas que tenho hoje. 

31 de dez. de 2015

Tudo o que eu não fui

Foto: Bruna Novaes


365º dia. É impossível não se deixar ser levado por esse espírito de esperança e pela sensação de recomeço que essa época traz. Último dia do ano. Parece ser a época perfeita para refletir como foi o ano que acabou e fazer planos para o ano que se aproxima, colocar na balança tudo o que alcançamos e o que perdemos, de fazer aquela equação para descobrir se o saldo da sua vida neste ano foi positivo ou negativo.

Sempre fui tentada a achar que meu saldo a cada fim era sempre negativo, pra ser bem sincera nem chegava a montar a equação (sempre odiei matemática), simplesmente pensava que tudo de ruim que tinha me acontecido superava as coias boas e me lamentava por todos os planos e promessas que eu havia feito há exatos 365 dias atrás. Sempre agia como se não importassem as coisas boas que aconteceram durante o ano, as conquistas obtidas (mesmo que não fossem aquelas que eu havia planejado). Eu tinha aquela mania terrível de só reclamar e reclamar. 

Depois de um tempo me dei conta que ficar fazendo planos e promessas, ou ficar lamentando e reclamando do que passou não muda nada. É preciso bem mais que isso pra mudar as coias. 

Então decidi: Preciso lutar pra ter coragem, ao invés de esperar ter coragem pra lutar. Meter a cara mesmo, sabe? Me arriscar, como se cada dia fosse o último. 
Não vale a pena se prender e deixar ser dominado por medos tão mesquinhos e nos privar das nossas conquistas. 

Por isso esse ano eu vou ser tudo o que não fui, não vou tentar ser, ver tutorias de com ser, pensar em ser. Eu vou ser e pronto. Tudo o que eu não fui pra mim. E sei exatamente do que eu preciso, e agora sei que está tudo aqui, bem em baixo do meu nariz. 

Vou correr atrás dos meus sonhos, mas sem fechar os olhos para o que aparecer no caminho, estarei mais atenta ao que a vida me oferece. Não serão distrações, não irão me impedir de alcançar o que quero. Eu só preciso ter a prudência de escolher o que vai ser bom e o que não vai. 

Hoje me dei conta do quanto meus sonhos tomaram rumos diferentes, o quanto que eu mudei, o quanto cresci. Finalmente entendi que a vida não é aquela equação que tem sempre a mesma fórmula, independente das variáveis. Viver é estar sempre em mutação. A cada 24 horas a Terra dá uma volta completa em torno de sim mesma, a cada 365 dias a Terra dá uma volta completa ao redor do sol. Todo ser - vivo ou não- é composto por moléculas que estão em constante movimento e sempre em choque. Ou seja, nada para. Logo, eu não vejo o porquê de ter apenas um sonho e de molda-lo de uma única maneira. Eu posso sonhar o que quiser e realizar de várias formas possíveis, melhor, de todas as formas possíveis. 

Mas não quero muita coisa não, o que mais quero é dobrar os sorrisos, triplicar os abraços, aumentar a felicidade, fazer das coisas boas um hábito. Então para este  ano, eu não vou fazer nenhum pedido, ao invés de imaginar como será o meu novo ano eu farei o meu novo ano da maneira que sonho, da melhor maneira, e sim, serei o melhor que puder, para  mim e para os meus. 

16 de nov. de 2015

Nós

Foto: Bruna Novaes

Tô com um nó na garganta faz um tempão. Tô tentando desfazê-lo, mas nem sei por onde começar. Acho que vou começar pelo fim, vou começar te falando o que em todos os meus discursos mentais ficaram para o fim, porque em meus ensaios haviam dois possíveis finais: aquele feliz, onde eu nem precisaria terminar de falar, porque o que eu estava falando era o que você também queria me dizer, então eu nem precisaria chegar ao final. E havia aquele final não tão feliz, onde eu perceberia seu olhar assustado, confuso ou até mesmo indiferente, perderia a coragem e jamais te contaria. Então começarei por ele, até porque o que eu tenho para dizer já resume tudo, e por mais que seja  mais complexo para falar, me economiza as palavras, e por ter bem menos a dizer me sinto mais preparada para fazê-lo, ainda muito nervosa, mas pelo menos serei assertiva e conseguirei meu objetivo, ou parte dele. De antemão peço que não se assuste, e se quiser saber o que vem antes do fim não se acanhe em perguntar... 

...Não sei a quem estou enganando com tudo isso, provavelmente irei inventar algo minimamente interessante, só para fugir de contar a verdade, acho que nem mudando de estratégia serei capaz de desfazer esse nó que a minha covardia enlaçou e aperta sem piedade a cada segundo que passa. Morrerei sufocada em meu silêncio Esse é o destino que me resta. Aceitarei minha covardia como uma velha amiga e viverei em paz com essa agonia enquanto me restar fôlego, porque tenho quase certeza que a única maneira de me salvar desse nó cego é arrancado-o, mesmo que isso custe parte de mim e me deixe cicatrizes profundas que jamais poderão ser apagadas. É isso, ou viverei um eterno penar de quem tinha tanto para dizer, mas não conseguiu se libertar de suas próprias amarras.

19 de set. de 2015

Porque ainda te quero, mas não queria te querer

Foto: Bruna Novaes

Porque eu achava que já estava tudo resolvido entre nós, que tudo já havia se resolvido dentro de mim. Porque eu já me sentia livre, e até mesmo pronta para amar novamente. Não sei dizer se isso seria algo que surgiu novamente - seria um amor novo pra todos os efeitos. Ou se sempre esteve aqui, escondido e agora veio à tona. Ou se eu sempre tive consciência de que ainda haviam resquícios desse amor e fingia que não existia e tentava reprimi-lo e matá-lo. Não sei. 
Eu deveria te odiar. Mas talvez te odeie, afinal de contas entre o amor e o ódio a divisão é muito tênue. Não, não te odeio, se de fato odiasse ainda estaria bem longe de você. Ou era tudo aquilo fingimento? E eu não fugia de você, mas do que eu sentia por você? Acho que não, afinal de contas entre o nosso fim e esse recomeço dentro de mim (recomeço?) houveram algumas paixonites, houveram alguns momentos de paz onde acreditei ser auto suficiente e só precisar de mim para ser feliz. 
Não que eu precise de você, afinal de contas aprendi a viver sozinha, não te quero pra me completar, não mais, te quero porque você - apesar de tudo- me traz algo de bom. Sua companhia é uma das melhores, não posso negar. 
Mas espera... de que adianta isso tudo se eu nem ao menos sei o que você sente, pensa ou quer? Claro, claro, estou fazendo novamente - muito bem por sinal- meu papel de idiota. 
Ou talvez nem esteja, talvez não seja impressão minha e você também sinta falta de nós. Será? Depois que o amor serena vira nada? Ou apenas adormece esperando a hora certa de ressurgir? É possível amar alguém mais de uma vez na vida? Isso seria amor mesmo? Ou medo de encontrar outro caminho? De deixar minha zona de conforto, me arriscar pelo desconhecido e escrever algo novo? É difícil encontrar alguma certeza nesse momento. 
Eu sei que ainda te quero, ao mesmo tempo também não quero mais. Não consigo decidir, mas também não quero deixar essa decisão não suas mãos. Gosto de controlar minha vida, ou ao menos fingir que o faço. Mas acho que não tem outro jeito (ou talvez tenha, mas quero fechar meus olhos e fingir que não tem) vou te deixar decidir, sempre estive em suas mãos mesmo, e vou ser bem sincera: não quero sair delas, acho que nunca quis.

9 de set. de 2015

Me falaram de amor, mas eu não sei amar

Foto: Bruna Novaes

Mas o que é o amor mesmo? Porque só conheci suas piores formas. Me falaram que o que eu conheci não era amor, que o amor não machuca, que quando é amor, é para sempre. Mas me contaram também que ás vezes o amor acaba, que nem sempre o amor é correspondido. Outra pessoa me disse que amor verdadeiro é uma via de mão dupla, que se for real, também é recíproco, caso contrário é só ilusão. Me contaram que o amor não nasce da noite para o dia, que é algo que se constrói e que uma vez que ele é bem construído não há nada nem ninguém que possa destruí-lo. Só que também me disseram que o amor é uma grande perda de tempo, que gasta-se forças e tempo em algo que mais cedo ou mais tarde vai ruir mesmo. Eu soube também que o amor só acontece uma vez e que quando ele chega... Ah! A vida se torna uma explosão de cores, que tudo aos poucos vai ganhando vida e que essa vida nunca mais será a mesma uma vez que o amor a inundar. Só que eu também já vi juras de amor eterno se transformar em discursos de ódio e por mais que digam que o amor só é real se for eterno eu posso jurar que antes de se tornar ódio o que eu vi era amor sim. Ou só parecia ser amor? Ou será que nunca foi amor? Será que tudo que ouvi sobre o amor está certo? Ou será que estão todos enganados? Será que o amor não é nada disso? Ou pode ser tudo isso? Será que eu realmente nunca vivi o amor? Ou será que ainda hei de tê-lo? O amor só acontece uma vez? Ou é possível conhecê-lo em mais de uma forma? Será que amar é realmente tão bom assim como alguns afirmam com tanta veemência? Ou será o pesadelo de tantos?
Já ouvi tanto sobre o amor, eu deveria ser perita no assunto, mas na realidade eu não sei o que é amor, nem tão pouco amar.

4 de set. de 2015

Listinha de favoritos: Quem é Você, Alasca? (John Green)

John Green 
"[...] se as pessoas fossem chuva, eu seria garoa e ela, um furacão."
Quem é Você, Alasca? é um dos meus livros favoritos e definitivamente meu livro favorito do John Green, foi o primeiro livro que eu li do autor e até agora nenhum outro, nem mesmo A Culpa é das Estrelas conseguiu me conquistar tanto como esse. 

O livro tem como protagonista Miles Halter, um adolescente que resolve ir estudar em um internato no Alabama por estar cansado da mesmice da sua vida. Miles tem a mania de colecionar últimas palavras e quando questionado porque ir estudar em Culver Creek ele diz que sai em busca do que François Rabelais disse quando estava a beira da morte "O Grande Talvez".

Em Culver Creek ele faz amizade logo de cara com Chip Martin, mais conhecido como Coronel, ele apelida Miles de Gordo e assim que vamos chamá-lo ao longo do livro. Coronel apresenta Gordo aos seus amigos Takumi e Alasca Young.



Alasca é uma verdadeira incógnita para Gordo, ora brincalhona, impetuosa, capaz de bolar os melhores trotes da escola; ora mau humorada, irritante, mandona, ela enlouquece Gordo que não consegue acompanhar, muito menos entender suas variações de humor repentinas.

Gordo se vê apaixonado por Alasca, e ao passo que ele procura um "Grande Talvez", tudo o que Alasca procura é uma forma de sair do que ela chama de "labirinto de sofrimento". Alasca nos arrasta para esse tal labirinto que nada mais é do que a própria vida, ela nos faz refletir sobre a sua efemeridade, sobre como as coias podem estar bem em um dia e no outro tudo muda.

Quem é você, Alasca? é um livro muito envolvente, com uma historia magnífica e cheio das sacadas geniais típicas de John Green. A contagem dos capítulos marca também a passagem do tempo da história, o livro é dividido em antes e depois e a contagem começa com 136 dias antes e assim vai, deixando o leitor curioso e aguardando que algo grande aconteça ao final da contagem.
Fotografias: Mayse Silva

Essa é minha dica de leitura de hoje, quem já leu fique a vontade para deixar nos comentários sua opinião. Gostou? Não? Porque? Quem gosta do trabalho do John Green não pode deixar de ler este livro, como disse no início do post esse pra mim é sem sombra de dúvidas o melhor livro do autor. 
Para o post não ficar muito longo vou postar meus quotes favoritos numa postagem a parte, porque são muitos, e não consegui reduzir tanto. Então em breve faço para vocês uma postagem exclusiva de quotes de Quem é Você, Alasca? ok?

12 de jun. de 2015

Pra Sempre? Nem Sempre

Foto: Bruna Novaes

Te conheci num primeiro dia de aula qualquer, era só mais um idiota pra turma, ou ao menos era o que parecia ser. Não que você não seja idiota, afinal qual garoto não é? Ficamos amigos, era sempre eu quem fazia suas lições de casa ou lhe emprestava a minha para que copiasse. Não me importava com isso, gostava de sua companhia e das nossas conversas, gostava de não mais ser a garota solitária e anti social.

Em pouco tempo éramos melhores amigos, você era o único capaz de suportar minhas chatices, meu mau humor matinal, e quase sempre me fazia sorrir com suas piadas idiotas e se gabava do fato de ser o único a conseguir arrancar sorrisos meus. 

Era quase impossível não me sentir bem ao seu lado, e em um curto espaço de tempo, você se tornou tudo pra mim. Acho que foi esse o problema, não percebi o que estava acontecendo, queria sempre estar contigo, o seu abraço já era o meu favorito, já conhecia seu cheiro, sua voz, seus passos... e até  meu incurável mau humor matinal tinha desaparecido: eu acordava feliz porque ia te ver. 

Me apaixonei, mesmo sem saber que estava me apaixonando, mesmo não querendo. Não fiz nenhum esforço para evitar, estava gostando daquele sentimento que me preenchia e me fazia sentir viva. Você correspondia, ou será que era o contrário? Você flertava comigo e eu caía cegamente em seus encantos? Não sei ao certo. 

E num piscar de olhos você se tornou meu tudo: meu namorado e melhor amigo, aquele me acalentava quando eu precisava de um afago, aquele me ouvia quando eu precisava desabafar. Era bem mais do que eu havia sonhado pra mim, mais do que eu poderia querer, era mais do que eu havia pedido aos céus.

Era. Sim, no passado, era. Não foi nem um pouco difícil imaginar um futuro inteiro ao seu lado, mesmo porque você nutria todos os meus sonhos e planos para nós dois, me fez acreditar de éramos feitos um para o outro e que nada abalaria nosso amor. Que ingênua eu fui! Acreditei que tudo aquilo era real, que seu amor por mim era real.

Mas tão depressa quanto nos unimos, você se afastou. Partiu, levando consigo parte do meu coração destroçado, destruindo meu mundo e minha capacidade de sonhar. Eu tinha razão, você é só mais um idiota, mas foi a única felicidade que conheci e me recuso a procurar por outra, é por você que minha alma, agora solitária, grita. Meus instintos ainda procuram abrigo nesse amor quando meu corpo padece de angústia. Sei que devo te esquecer, mas isso significa me esquecer também, você mudou quem eu sou e a cada dia que vivo me lembro de você, te vejo refletido em meus gestos, meus pensamentos. 

As pessoas me dizem pra virar a página, seguir meu coração. Eu te pergunto: Qual dos pedaços devo seguir? Já que foi você quem quebrou, talvez saiba qual dos pedaços me mostre um direção. Vê? Até para seguir em frente eu preciso de você, dos seus conselhos, da sua ajuda. Não sei se essa dor um dia passa, se esse amor um dia acaba. Mas quando isso acabar eu juro que nunca mais amarei de novo, nunca mais.